Teatrices chateais - intermezzo
O amor é pessoal e intransferível. O que ela tem, não pode ser seu, não pode ser de ninguém. Preocupe-se, professor e aluno, já que é no beijo ausente que a memória mistura a pele dos lábios em desejo e dúvida. Ser, estar, permanecer. Ela se pergunta. Você se ilude. Longe daqui, resta o engano. Longe daqui, você é platéia para seu discurso, você é desuso. Mantém um posto, enquanto é o meu rosto o etílico. Incomodo-te. Pouco importa.
Escrito por Robinson Machado às 11h36
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Teatrices chateais
— Tem dias que você fica aí, com essa cara.
— E outros que você me derrete as bolas com essas bobagens. Puta merda. Como se já não me bastasse o breu.
— Viu? Você só faz não ver. Uma coisa meio.
— Meio o que?
— Uma coisa meio mesmo.
— Ah.
Escrito por Robinson Machado às 18h09
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Jesus wrote a blank check
Jesus wrote a blank check,
One I haven't cashed quite yet.
I hope I've got a little more time.
I hope it's not the end of the line.
Yeah, Jesus wrote a blank check.
One I haven't cashed yet, all right.
But if I had to choose a number,
I'd want it to be number one.
I don't want to be number two.
Yeah, I don't want to be number four.
But I can hear a knock on the door.
Jesus wrote a blank check, all right.
If Jesus saw me dying,
Would angels come a flying down?
I hope I've got a little more time.
I hope somebody lends me a dime.
Now, Jesus wrote a blank check.
Ah, one I haven't cashed yet.
Still I build my towers high.
I watch them pierce the blue, blue sky.
Still I wallow in the mire.
Still I burn this earthen fire.
Still I build my towers high.
I watch them pierce the blue, blue sky.
Still I wallow in the mire.
Still I burn this earthen fire.
Still I burn this earthen fire.
Still I burn this earthen fire.
Still I burn this earthen fire.

Still I burn this earthen fire.
Still I burn this earthen fire.
Still I burn this earthen fire.
Still I burn this earthen fire.
***
Cake
Foto: Márcio Bracali
Escrito por Robinson Machado às 10h19
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Escrito por Robinson Machado às 12h00
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Poetrício
Somos o sentido ou o que não se sente.
Você é o que você rumina ou é_
_o que lhe determinam.
Terminam do começo e te iniciam nos fins.
Sê.
Etcétera.
Somos o perigo ou o que não pergunta.
Você vê o que você lamenta ou vê_
_o que lhe experimentam.
Rasgam o escuro com rajadas oculares.
Crê.
Etcétera.
Somos o abrigo ou o que não obriga.
Você lê o que você expurga ou lê_
_o que lhe regurgitam.
Corrompem o hímen a lápis B6.
Dê.
Etcétera.
Escrito por Robinson Machado às 18h28
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Sentir a falta.
Escrito por Robinson Machado às 14h37
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Calle
Meus pés em tênis pisavam a calle Florida, meus olhos pesados viam os couros argentinos à venda, mas minha cabeça girava no ritmo de uma tarde agitada de São Paulo. Não sei dizer ainda se o ar de Buenos Aires vem carregado de solidão ou se eu trouxe de casa alguma ventania presa nos meus pulmões. Tornei-me tornado por aqui. Aqui dentro. Sabe?
Deixei o albergue rumo a qualquer lugar do mundo que não fosse a Suíça. Mas não fui longe, os arredores ainda eram novos o suficiente para que dali não fugisse, que dali não voltasse para casa, que dali não morresse de algo ou por alguém. Florida. Essa rua me diz ao pé do ouvido e na contra-mão que dos milhões de minutos que vivenciamos, se muito, tivemos algum controle por segundos. A coisas apenas acontecem.
Não sei dizer quais foram as primeiras palavras da mulher. Balbuciei um buenas tardes como quem preferia nada dizer e tentei prestar atenção no que dizia. Devia ser cigana, ou atriz, ou ladra. Ou poderia ser uma alucinação. Não, não naquela hora. Por insistência e alguma outra razão que não pude reconhecer, a segui. Queria me levar a uma casa com belas mulheres, bom preço. Explico que estava sem dinheiro, mas me convenceu a conhecer o tal lugar. Deixamos a rua. Penso e comprovo que, ao ganhar a distância de uma quadra, é possível pisar em outro mundo.
Lugares podem ser ermos para alguns e chamados de lar por outros. Lugares podem ter cores familiares para muitos e tons desprezíveis para tantos. O fato é que eu não pertencia àquele lugar, o fato é que nem o reconhecia como um lugar. Foi como se o amargo da minha boca tivesse se tornado tijolo, cimento e tinta descascada. Chego na casa; tons vermelhos, sofás de couros argentinos que há pouco estavam na calle Florida. A cigana me entrega, como se fosse eu uma mercadoria brasileira, e some como surgiu. Talvez em busca de outro eu, aquele que ficou a contemplar as coisas para olhar dentro de si mesmo.
Seis mãos pelo meu corpo, assim que me sento. Tento repetir que não tenho dinheiro, mas os ouvidos não. As línguas não. As mãos. Meu corpo. O calor. Meu corpo não. Fechei os olhos, ousei usar meu tato. As mãos...
Mulheres com batons escuros e hálito de empanadas. Novinhas de meia-idade e idosas de quatorze anos. Precisei de um esforço para tirá-las de cima de mim. Em algum momento perceberam que, de fato, não havia mesmo dinheiro em meu bolso. É nessas horas que o espanhol não faz sentido algum – as ofensas ditas em alto e mau som foram rápidas, repetidas e rasteiras. Tento explicar que voltaria com dinheiro, pois estava apenas a conhecer. A exaltação das três e a minha ali estavam a graus Celsius de um céu sem nuvens, num impasse acre, nada doce. No peito, coração em tango de oito tempos, em clave de sol, com base techno e remix de Olodum-dum-dum-dum-dum-dum. Disparo para a porta, sem olhar para trás. Corro. Tremi o asfalto com o vibrar das minhas pernas. Calle Florida. Não me disse mais nada.
***
Esta é uma obra de ficção, baseada em fatos reais. Homenagem a um amigo que passa temporada em Buenos Aires
Escrito por Robinson Machado às 18h06
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Dança no negro da tela molhada
Dança de trupe trepada na escada
Em cada dança
marcada,
uma nota em cor
Corra de lado,
dance errado
em terror
Ou fique parado,
em esperança
estática
Da tática simples da dança contrária
Da dança calada, olhos nos olhos de peixe
Deixe a dança, contrarie e respeite
Ou se deleite,
ou se compasse
Ou se clareie,
ou se enlace
Face colada, pernas trançadas,
Cada dança, cada passo em falso
Infausto, encalços das coreografias
Frias noites, bailes de fotografias
Ria em traços calmos,
rápidos
Inocentes... sente a dança,
Sente
a
dança...
(...)
Levanta.
***
Robinson Machado, 2004.
Escrito por Robinson Machado às 15h43
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Viu?
clique aqui:
EXPOSIÇÃO VISÕES
Escrito por Robinson Machado às 10h38
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Vai lá ver

Dia 11 de junho, quarta-feira, em vernissage a partir das 19 horas, começa a exposição coletiva "Visões", que reúne 23 artistas plásticos no espaço cultural da L´Osteria Del Generale, na Bela Vista (SP). A mostra acontece na Rua Dr Fausto Ferraz, 163 – Bela Vista, de 12 de junho a 4 de julho, das 12:00 às 23:00 horas. Vernissage: dia 11 de junho, quarta-feira, 19 horas (estacionamento no local).
Escrito por Robinson Machado às 09h57
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Não há contorno nas coisas
Não há contorno nas coisas; onde acaba um tom, começa o contraste e o existir. Em volta de algo se vê o que torna presente. Se nota o estar, o permanecer e o instante que antecede o estilhaço. Animado fico em meio a todo resto.
Cromo-existo, sem precisar de sentidos.
Escrito por Robinson Machado às 19h28
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Perdido na estepe
HAMM
Ontem! Que quer dizer isso? Ontem!
CLOV
(com violência) Quer dizer a merda do dia que veio antes desta merda de dia. Uso as palavras que você me ensinou. Se não querem dizer nada, me ensine outras. Ou deixe que eu me cale.
Pausa.
HAMM
Conheci um louco que pensava que o fim do mundo tinha chegado. Ele pintava. Eu gostava muito dele. Ia vê-lo no hospício. Eu o tomava pela mão e o arrastava até a janela. Olhe! Ali! O trigo começa a brotar! E ali! Olhe! As velas dos pesqueiros! Como é bonito! (Pausa) Ele me fazia soltar sua mão, bruscamente, e voltava para o seu canto. Apavorado. Tinha visto apenas cinzas. (Pausa) Apenas ele tinha sido poupado. (Pausa) Esquecido. (Pausa) Parece que o caso não é... não era... tão... tão raro.
CLOV
Um louco? Quando isso?
HAMM
Ah, há muito tempo, há muito tempo, você ainda não estava no mundo dos vivos.
CLOV
Bons tempos.
Pausa. Hamm tira o gorro.
HAMM
Eu gostava muito dele. (Pausa. Recoloca o gorro. Pausa) Ele pintava.
Samuel Beckett, Fim de Partida (Cosacnaify)
Escrito por Robinson Machado às 22h12
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"Otoridade"
Nem era dez da noite, chego de um jantar, desço do carro e a viatura de polícia dobra a esquina da Avenida Brigadeiro Luis Antônio com a Alameda Sarutaiá. A abordagem é rápida e agressiva, o policial, visivelmente despreparado, desce com arma em punho, olhos arregalados e me rende.
Sou revistado aos trancos, com as mãos na parede e tudo mais, e interrogado com rispidez. De onde veio? Está indo pra onde? Vai entender. Ah, claro, documento.
Vestia paletó, camisa e um colete de indignação da marca non sense. Com olhar de despeito, desprezo e algum ódio acumulado, identifiquei-me, ergui a cabeça, encarei o puliça e seu parceiro, posicionado com seu revólver a uns 4 metros. Cheguei até a sorrir, como fazem os criminosos que têm bons advogados.
Devolveu minha identificação. "Boa noite para o senhor", disse o senhor gambé. Dei as costas, sem dizer palavra para o filho da puta que estava procurando o que fazer. Jardins, Lauzane Paulista, nada muda. Em todo lugar se vende coxinha.
Escrito por Robinson Machado às 10h33
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Prece de Trickster ao Deus Ex Machina
De um guindaste desce neste leste palco o ἀπὸ μηχανῆς θεός,
e calado ou aos berros,
e nu ou em fibra ótica,
e imberbe ou em máscara,
resolve a tragédia no meu cômico pensar.
Escrito por Robinson Machado às 11h25
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Crema
Mortificada seja a vossa hemácia, que de tão perene e colada na artéria, traduza teu espólio e corrompa tua descendência. Que a queratina queira paulatinamente te abandonar só, sem cabelo e unha; verme de tequila no lugar do teu glóbulo que lacrimeja Aji-no-moto. Guardemos a chama para combustível mais digno do que o seu cadáver – este mesmo, que envelhece às pressas desde que nasceu.

Foto: Paulo Costa Filho
Mais em http://picasaweb.google.com/robinsonmachado
Escrito por Robinson Machado às 19h01
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Distorcido

Foto: Paulo Costa Filho
Mais em http://picasaweb.google.com/robinsonmachado/Distorcido
Escrito por Robinson Machado às 10h30
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Escrito por Robinson Machado às 11h56
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Exposição


UOL
UOLII
UOL III
Abril no Centenário da Imigração Japonesa
Abril no Centenário da Imigração Japonesa II
Guia da Semana
Turismo em Foco
Rádio Scalla FM
Yahoo!
Artistas e Artes
Cidade de São Paulo
Nippo Brasil
Arte Moda
Mercado e Eventos
Desabafo de mãe
Amigos do Peito
Escrito por Robinson Machado às 12h21
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Clube da Vingança V
O pequeno Oswaldo Saraiva começou a se aventurar pelas bifurcações da leitura muito cedo, aprendera as primeiras palavras aos 3 anos e com cinco lia em voz alta Dom Casmurro, mesmo que sem entender muita coisa. Não conheceu o pai, vendedor da Livraria Siciliano, que morreu de diabetes e deixou somente uma humilde biblioteca, de pouco mais de 100 livros. Uma rede que transformou suas livrarias em shoppings literários comprou a Siciliano. Hoje, com quase 30 anos, Oswaldo reúne artefatos explosivos caseiros, para usar caso a tradicional livraria perca o mínimo da identidade que lhe restou.
Clube da Vingança IV
Achou que vomitaria os pulmões, de tanto que correu pelo time. Não fez gols, mas contribuiu com os dois e não teve culpa nos três que, debaixo de chuva, estufaram a rede que defendia. Quando o técnico o chamou para substituir e ele abriu os braços de indignação, dez mil o vaiaram em ritmo sincopado. “Ei, Valdir, vai tomar no cu. Ei, Valdir, vai tomar no cu”. Passou de cabeça baixa pelo treinador, que esfregou a mão no seu cabelo suado, como se tivesse seis anos. Sentou no banco e deixou descer o isotônico vermelho pela garganta, imaginando o sangue gelado daquele que não tinha o direito de encadear sua humilhação.
Clube da Vingança III
Sofia não está certa se foi alvo de pura maldade ou se foi troco. Ela perseguiu aquele cara ainda confuso até rearranjar idéias na cabeça do sujeito. Sujeito sem predicados lá muito comuns, desses urbanos que ninguém entende, mas não desacredita. O fato é que a obsessão de Sofia despertou sua ira. Ela perdeu o respeito de muitos, teve a conta bancária invadida, os e-mails hackeados e o ego ferido. Sobrou sobressalentes e meia dúzia de amizades congeladas na adolescência. Sofia está confusa quanto ao revide.
Clube da Vingança II
Cecília partiu entre os dentes a tampa da caneta e girou sua cadeira com pouca destreza. Derrubou em papéis um café já frio – que gotejou pegajoso, sujou uma das pernas embrulhadas em jeans envelhecido. Havia caixas de papelão na mesa. Olhou com tanta dureza para Oswaldo, de cabelo curto, camisa azul e orelhas avermelhadas, que um dos dedos do colega permaneceu afundado no teclado. Sabia que era o último dia de Cecília. Sabia também que a culpa da demissão jamais seria esquecida. Sabia que o melhor a fazer naquele momento, era não se moverrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
Clube da Vingança I
Se não fosse ele o simulacro da razão, de tão passional, teria se jogado da varanda. Quarenta e dois anos, seis meses e quinze cigarros. Para Soares restou um ódio de filha, uma lata de conservas pela metade e contas por pagar. Tiraram-lhe tudo, o emprego, os cabelos, o gosto por cavalos e o hábito de comprar ferramentas, sem nunca ter feito com eficiência nenhum reparo na casa. Como ninguém em situação similar é capaz de ter idéia razoável, rabiscou diversos nomes a lápis em comprovantes de compras a crédito, numa lista que tinha em seu topo a palavra vingança.
Escrito por Robinson Machado às 10h06
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Feliz Dia Internacional da Mulher

Imagem: Robinson Machado // Mais em www.picasaweb.google.com/robinsonmachado
Escrito por Robinson Machado às 16h57
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Rosa
Prédio desses, maior que sequóia, cheio de gente da lida, não faz sombra boa pra ajeitá os couros da montaria e dormir a tarde pra ela correr devagarinho. Me volta as tristezas, ai que pegam no bucho, sim senhor sim senhora, se firmo as vista contra o sol e vejo esse povo todo de gravata ajeitada com nó de laçador, manga de camisa abotoada até os polegares, andando que nem saúva, depois da bóia que se vende por renda de mês, em punhados de umas cores que não se vê sem vidro preto na cara, antolho mal colocado; dizem que nem fogo usam pra fazer. Esses ligeiros.
Se cá fosse fazenda, se é que num foi uns tempos desses, boi carecia de boiadeiro não; bastavam umas luz verde-vermelha-amarela e um homem de amarel´arrom pras travessias. E a gente toda ia andar pelo meio da boiada brava, barulhenta, zangada que só de noite. Um vai que vai num vai volta da porra; é menino pedindo em vez de capiná, é mulher-da-vida de dia de fora das casas da noite, é falta de tudo pra quem falta e sobra de tudo pra quem não quer dar.
Sei das coisas não, não senhor não senhora. Vim parar nessa tal de Vila Olímpia, que de vila tem mais face pra vilã, por causa de empurro de destino; as vontades do capeta. Aprendi tud´antes pra tocar a vida, o gado e a viola. Agora é só agouro.
Joguei tudo no trilho do trem que parece vaquejada na capelinha da nossa senhora do socorro. Fico por aqui, no desespero morno. Fico nesse chão que não tem terra pra pisar, não tem terra pra plantar família nem pra colher alegria; nesse chão fervendo de tão cinza, fedendo de tanta gente ruim; nesse chão que cobre uma vista que já foi poesia. Que já foi boniteza. Que já foi.
Escrito por Robinson Machado às 14h32
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Paparazzo´s job
http://picasaweb.google.com/robinsonmachado/JulianaPaesNoRoyalClub
http://ofuxico.terra.com.br/materia/noticia/2008/03/02/juliana-paes-curte-a-noite-em-sao-paulo-sem-o-noivo-75718.htm
http://gente.ig.com.br/materias/2008/03/02/juliana_paes_e_vanessa_da_mata_se_jogam_na_balada_paulistana_1211797.html
http://www.portalmaratimba.com/noticias/news.php?codnot=226004#
http://estrelando.uol.com.br/interna/interna_25743.htm
http://ego.globo.com/ENT/Noticia/Sobre_ontem_a_noite/0,,MUL334010-6944,00-JULIANA+PAES+CAI+NA+NOITE+SOZINHA.html
http://ego.globo.com/ENT/Colunas/0,,8272-p-CONEXAO+SP,00.html

Juliana Paes, Cristina Kutianski e Sabrina Coghiatti, no Royal (Foto: Robinson Machado)
Depois de ir ao Nhoque da Sorte do Quattrino, na sexta-feira, a atriz Juliana Paes, em cartaz na cidade no musical Os Produtores, está aproveitando para conhecer a noite de São Paulo. No sábado, ela foi conhecer a vida noturna no centro histórico da cidade e passou a madrugada dançando em um dos camarotes do Club Royal, a casa noturna de Cacá Ribeiro e Marcus Buaiz, no edifício da Galeria Zarvos. A atriz chegou a casa por volta das 2 horas da manhã, acompanhada por Sabrina Coghiatti e Cristina Kutiansky para encontrar mais amigos que já as esperavam no club. Na mesma noite, a cantora Vanessa da Mata trocou um palco pela pista do Royal para aproveitar a noite entre amigos. No comando das pick ups, o DJ Zé Pedro comandou sets de pop e house com suas peculiares mixagens do melhor da música brasileira. (Portal Onne - César Giobbi)
Escrito por Robinson Machado às 10h54
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Pop (corn) art

Créditos: Robinson Machado
Mais imagens em: http://www.picasaweb.google.com/robinsonmachado
Escrito por Robinson Machado às 12h16
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"Sobre o Spam" ou "repúdio à típica comunicação dos idiotas"
Não, não quero receber um e-mail seu sobre uma fotografia curiosa ou engraçada, a menos que a imagem seja de uma situação em que estivemos juntos, por exemplo. Muito menos, quero slides sobre a felicidade, sob o enfoque de sei lá o quê – nem quero saber o porquê – com gente rindo, montanhas, lagos e patos. Estou farto. O tempo é precioso demais para idiotice em excesso.
Não exercitarei minha solidariedade encaminhando para dezenas de pessoas mensagens sobre supostas crianças que precisam de amparo médico. Não enviarei uma oração para 10 da minha lista, nem um pensamento otimista. Entenda. Você não sabe falar sobre política para promover campanhas demagógicas por meio de mensagens eletrônicas; não tente me enviar. Sua hipocrisia, a priori, está inserida na média; então, não me venha criticar os absurdos do mundo com um texto que não é seu, uma indignação que você não criou. Viral mesmo é a ignorância.
O interesse que tenho por uma piada, ou por um texto criativo, que tenha humor, que tenha crítica e que, vá lá, tenha até mesmo alguma profundidade, busco de variadas formas. Não quero usar minha caixa de entrada para isso, já que ela serve para o trabalho e interação com amigos próximos, entre os outros que de vez em quando tento me aproximar, por saudade, carinho e respeito.
Respeito é o que falta; talvez um pouco de senso do ridículo, talvez alguma inteligência na pessoa que se dá ao trabalho de receber lixo nas mãos, ou na tal da tela, e espalhar por aí, encaminhando falta do que fazer.
Não me envie spam, ok? Acho que deu para entender...
Envie algo a partir de um contexto entre nós, um tema em comum, uma conversa prévia, uma razão – e que apenas o meu nome figure na sua mensagem. Diferente disso, não vou ler. Vou apenas desejar que, num dia desses, você abra um vírus que destrua seu computador, que queime, sei lá, sua televisão, que danifique até seu forno microondas (por que, ora, você só pode fazer isso de casa, para compensar o tédio. Se estiver no trabalho, desejo sua demissão)
Há algum tempo, ouvi falar de algo chamado “netiqueta”. Procure saber algo sobre isso, o mundo agradece. Tente dirigir seus esforços para assimilar cultura e não disseminar futilidades.
Escrito por Robinson Machado às 09h42
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Auto-retrato

Brasil, São Paulo; Brigadeiro Luis Antônio, 21:00 horas
Escrito por Robinson Machado às 16h31
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Temas
Um ponto de ônibus nas ruínas de um míssil sem pátria. Um ônibus-míssil sem destino algum, com bancos cobertos de toalhas xadrez. Ela seguiu sem rumo, com placenta sob as unhas, depois do parto de uma desconhecida que aguardava o mesmo ônibus. Foi num cano estourado o banho do bebê. O outro, gêmeo, não resistiu à água fria. Sentiu febre, aquele sinal otimista de que o corpo reage ao hediondo, até onde não se imagina. A explosão quebrou as vidraças do coletivo. Alguém disse que o último som registrado pelos ouvidos do motorista foi a voz de alguém que o veículo atropelou, que gritava o fim do mundo na forma de algo que caía do céu. Muros retorcidos, um asfalto áspero como pipoca, a viagem seguia. Numa esquina, um desabrigado entre escombros perdeu o ar com a própria risada – no colo, seu cão ensangüentado e uma carta semi-queimada. Semi-chuva ácida entra pelas frestas, como cerejas arremessadas num palco vazio. Ela tentava se lembrar dos primeiros acordes de sua música favorita, uma do Sinatra, que ela ouviu em um dos discos da coleção incompleta de um avô, o condutor do ônibus.
Escrito por Robinson Machado às 17h04
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Apnéia
O reflexo na retina permaneceu até onde o sal daquela água clara permitiu que ela ainda olhasse. Apnéia de ocasião, talvez por conta do arder do meio-dia; talvez pra se esconder do ar e lhe mandar pistas em bolhas apressadas. Queria fazer parte daquele azul e ali encher de paz os pulmões e encher a boca pra falar. Um céu-oceano onde todo horizonte fosse praia e todo barco fosse uma pequena esperança. Pequena, mas daquelas que jogam a rede por instinto e arrancam do fundo com certezas, experiência e estrelas do mar. Ela precisa respirar.
Escrito por Robinson Machado às 16h27
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Minha artes
De um quadro, todos eles, o meu jeito invisível. Da fotografia, o que é visível, mas, com licença, do meu jeito. Do meu texto, a fotografia do meu jeito abstrato, que não se vê – e o enigma perfeitamente adequado a qualquer um que o lê. Do desenho, o quadro do meu estado de tédio, rabiscado em texto não visto.
Da música, secreta, a foto de um quadro de texto em fundo invisível.
Escrito por Robinson Machado às 14h54
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Espera
O rolo de senhas preso à parede parecia normal, mas quando ela puxou um dos bilhetes numerados em forma de nariz postiço, um metro do fio de papel foi drenado sem se partir.
Os que já aguardavam, com seus tíckets em punho e expressões de sacos de sisal, pareciam não notar. Três metros, quatro metros, com a ponta entre os dedos dela. 136, 137, 138, 138, 140, 141, 256, 460, 523. Metros.
As serpentinas de papel tomaram os guichês, que funcionavam como ontem, como sempre; lentos e insólitos. Números impressos invadiram as frestas, apagaram as lâmpadas, as telas de computador. Ela segurou firme seu numeral, mas esqueceu o motivo da ida até lá. Em meio a tanto papel, um som rápido e agudo parecia chamar o próximo. Mas era apenas um celular que anunciava a falta de sinal, bloqueado pelo desenrolar todo.
Escrito por Robinson Machado às 17h53
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Das guerras
Foi bem na esquina da avenida Paulista com a Autobahn germânica; o sinal estava vermelho e o céu dourado. A coisa estava preta. O metralhar a esmo da Gestapo sob as matracas dos revoltosos zuniam La Marseillaise; os rufares lembravam Cordel do Fogo Encantado.
Era uma segunda e, talvez por isso, os mendigos não moveram as costas das paredes e os trens voltavam vazios, como se não tocassem os trilhos. As gravatas corriam para um lado, as motocicletas robustas arrancavam a 120 por hora para outro. Alguém gritou algo sobre a chegada de novas bandeiras. E estavam mesmo lá, pontos coloridos onde o caminho fica pontiagudo e tenta perfurar o horizonte, que já subia rosa pra deixar tudo mais real.
Escrito por Robinson Machado às 15h11
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